Homenageado

Cacá Diegues - Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2012

Carlos Diegues nasceu em Alagoas, no estado de Maceió em 1940. E tinha apenas 6 anos quando a família de pequenos proprietários rurais se mudou para o Rio de Janeiro. Cacá foi estudar no tradicional colégio de jesuítas Santo Inácio e depois ingressou na Pontifícia Universidade Católica para cursar Direito. Logo, assume a presidência do Diretório Estudantil e funda um cineclube juntamente com seus amigos: David Neves, Arnaldo Jabor e Paulo Perdigão entre outros e Cinema Novo carioca está em formação. A integração da política com a cultura manifesta-se em outras atividades que desenvolve enquanto ainda é estudante: Cacá dirige o jornal O Metropolitano, órgão oficial da UME (União Metropolitana dos Estudantes) e junta-se ao CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE (União Nacional dos Estudantes).

É de dentro do CPC que surgirá seu primeiro projeto de filme profissional, em 35mm, é “Escola de samba alegria de viver”, um dos episódios do longa-metragem Cinco vezes favela, produzido em 1961. Mas antes disso, Cacá já havia dado seus primeiros passos nos curtas-metragens “Fuga” e “Domingo”. E, ainda, dirigiria um novo curta, em 1967: o documentário “Oito universitários”.

O primeiro longa-metragem vai surgir em 1964, “Ganga-Zumba”, que junto com “A grande cidade” (1966) e “Os herdeiros” (1969) compõem uma trilogia de utopias para o Brasil, que vivia os duros tempos da ditadura militar. E é justamente em 1968, um ano depois do AI-5, que Cacá decide sair do país ao lado da esposa, a cantora Nara Leão.

Mas Cacá ficou pouco tempo longe. Em 1972, já estava no Brasil para lançar “Quando o carnaval chegar”, seguido de Joanna Francesa em 1973. É na década de 70, que ele virá a experimentar um de seus maiores sucessos de bilheteria: “Xica da Silva” (1976), com uma Zezé Motta exuberante e uma série de metáforas sobre a vida política do país. Esta é também a década que se encerrará com a anistia política, com novos ares para o país em todas as áreas, no entanto, inquieto em suas reflexões sobre a arte, Cacá acaba por cunhar a expressão "patrulhas ideológicas" que serve até hoje para designar qualquer tipo de cerceamento a independência da produção cultural. Ainda que refletisse, escrevesse e discutisse sobre a arte e política no país, Cacá continuava filmando e na virada dos séculos lança mais dois sucessos: “Chuvas de verão” (1978) e “Bye bye Brasil” (1980). Afinal, este era o perfil que já se revelara em seus tempos de faculdade.

Sua produção cinematográfica dos anos 80 reúne 3 filmes: “Quilombo” (1984), “Um trem para as estrelas” (1987) e “Dias melhores virão” (1989). Mas uma crise se avizinhava com os anos 90: a produção cinematográfica do Brasil tem uma drástica redução, o mercado praticamente inexiste para o filme brasileiro. A saída que Cacá Diegues encontra é buscar parceira com a televisão e realiza em 1994, junto a TV Cultura, o filme Veja esta canção. Logo, no ano seguinte, a produção começa a viver o que foi chamado de Retomada. O ano era 1995 e, logo no ano seguinte, Cacá volta às telas grandes com “Tieta do agreste” (1996) seguido de “Orfeu” (1999) e “Deus é brasileiro” (2002), 3 adaptações de grandes obras da literatura e do teatro estreitando as relações que o diretor sempre teve com as mais diversas manifestações artísticas. Mas 2006 é o ano do retorno ao roteiro original com “O maior amor do mundo” escrito por ele mesmo, marcando o reencontro com alguns de seus colaboradores como o ator José Wilker.

É em 2007, dá-se início um projeto no qual Cacá Diegues como supervisor e artífice: um novo Cinco vezes favela. Agora, roteirizado, dirigido, interpretado com equipe técnica composta por moradores de comunidades cariocas. Sob o nome de "Cinco vezes favela – Agora por nós mesmos", o projeto promove um retorno reflexivo aos debates dos anos 60 revelando os novos tempos. Agora, não é mais o intelectual de classe média que fala sobre as favelas. Não há mais necessidade de intermediários: cada um pode falar por si mesmo. Cacá Diegues une as pontas: o artístico, o intelectual, o político encontra-se nas novas histórias que surgem nas ruas e nas telas.